Domingo no Carmelo [Ascensão do Senhor]

Domingo no Carmelo [Ascensão do Senhor]

2019-06-03 0 Por admin

Estimados amigos,

Apresentamos com imensa alegria a edição para esta semana do Domingo no Carmelo.

«Enquanto os abençoava, foi elevado ao Céu»

«Por condescendência divina tornámo-nos, como diz o Apóstolo, “herdeiros de Deus e co-herdeiros de Cristo” (Rm 8, 17). Temos um Pai nos céus, pertencemos a uma grande família. De lá desceu até nós o Filho para se tornar nosso irmão. Não abandonou o Pai quando veio até nós, nem nos abandonou ao voltar para o Pai. Acreditemos que Cristo está no Céu e acreditemos também que continua connosco. Como é que está nos céus se continua connosco? Enquanto Deus. A minha palavra está comigo e está convosco; está comigo no meu coração e está convosco nos vossos ouvidos. Se a minha palavra tem esta possibilidade, não a terá a Palavra de Deus? Desceu, certamente, quando estava aqui. Que quer dizer “desceu”? Que Jesus Cristo se mostrou. E de que modo se mostrou Jesus? Fazendo-se homem. Que significa, então, “subir”? Que o corpo de Cristo foi elevado ao céu, não que a divindade mudou de lugar. Para onde subiu, daí desceu; e conforme subiu, assim descerá de novo. Quem o diz são os anjos, não sou eu. Com efeito, os discípulos estavam de pé, seguindo-o com o olhar enquanto subia. E disseram-lhe: “Homens da Galileia, que fazeis aqui a olhar para o céu? Este Jesus virá do mesmo modo que o vistes a ir para o céu”. Que quer dizer “virá do mesmo modo”? Virá para julgar na mesma forma em que foi julgado. Vê-lo-ão não apenas os justos, mas também os injustos: virá para ser visto por justos e injustos. Os injustos poderão vê-lo, mas não poderão reinar com Ele» (S. Agostinho, Sermão 265 F, 3).

«Irmãos caríssimos, durante todo este tempo, decorrido entre a ressurreição do Senhor e a sua ascensão, a providência de Deus esforçou-se por ensinar e insinuar, não só nos olhos mas também nos corações dos seus, que a ressurreição do SenhorJesus Cristo era tão real como o seu nascimento, paixão e morte. Por isso, os bem-aventurados Apóstolos e todos os discípulos, que estavam tão perturbados com a tragédia da cruz e hesitavam em acreditar na ressurreição, foram fortalecidos de tal modo pela evidência da verdade que, quando o Senhor subiu aos Céus, não somente não experimentaram tristeza alguma, mas, pelo contrário, encheram-se de grande alegria. E era verdadeiramente grande e inefável a causa da sua alegria: à vista daquela santa multidão, contemplavam a natureza humana que subiu a uma dignidade superior à de todas as criaturas celestes, ultrapassando as hierarquias dos Anjos e a altura sublime dos Arcanjos, para ser recebida junto do Eterno Pai, que a associou ao trono da sua glória, depois de a ter unido na pessoa do Filho à sua própria natureza divina» (S. Leão Magno, Sermão 1 da Ascensão, 2-4).