Domingo no Carmelo [Domingo da Santíssima Trindade]

Domingo no Carmelo [Domingo da Santíssima Trindade]

2019-06-16 0 Por admin

Queridos amigos,

É com enorme alegria que partilhamos o Domingo no Carmelo deste dia.

«Tudo o que o Pai tem é meu. O Espírito receberá do que é meu, para vo-lo anunciar»

«Ora a nossa fé é esta: acreditamos na Trindade santa e perfeita, que é o Pai, o Filho e o Espírito Santo; não há n’Ela mistura de nenhum elemento estranho; não Se compõe de Criador e criatura; mas toda Ela é criadora e eficaz; uma só é a sua natureza, uma só é a sua eficiência e acção. O Pai cria todas as coisas por meio do Verbo, no Espírito Santo; e deste modo se afirma a unidade da Santíssima Trindade. Por isso se proclama na Igreja um só Deus, que está acima de tudo, actua em tudo e está em tudo. Está acima de tudo como Pai, princípio e origem; actua em tudo por meio do Verbo; e está em tudo no Espírito Santo.

O apóstolo São Paulo, escrevendo aos coríntios acerca dos dons espirituais, tudo refere a Deus Pai como princípio de todas as coisas, dizendo: Há diversidade de dons espirituais, mas o Espíritoé o mesmo; há diversidade de ministérios, mas o Senhor é o mesmo; e há diversidade de operações, mas é o mesmo Deus que realiza tudo em todos. Os dons que o Espírito distribui a cada um, vêm do Pai, por meio do Verbo. De facto, tudo o que é do Pai é do Filho; e, portanto, as graças concedidas pelo Filho, no Espírito Santo, são dons do Pai. De igual modo, quando o Espírito está em nós, também em nós está o Verbo, de quem recebemos o Espírito; e, com o Verbo, está também o Pai. Assim se realiza o que diz a Escritura: O Pai e Eu viremos a ele e faremos nele a nossa morada. Porque onde está a luz, aí está também o esplendor da luz; e onde está o esplendor, aí está também a sua graça eficiente e esplendorosa» (Santo Atanásio, Cartas).

«Deus Pai, que revelastes aos homens o vosso admirável mistério, enviando ao mundo a Palavra da verdade e o Espírito da santidade, concedei-nos que, na profissão da verdadeira fé, reconheçamos a glória da eterna Trindade e adoremos a Unidade na sua omnipotência» (Colecta).

«Com o vosso Filho Unigénito e o Espírito Santo, sois um só Deus, um só Senhor, não na unidade de uma só pessoa, mas na trindade de uma só natureza. Tudo quanto revelastes acerca da vossa glória, nós o acreditamos também, sem diferença alguma, do vosso Filho e do Espírito Santo. Professando a nossa fé na verdadeira e sempiterna divindade, adoramos as três Pessoas distintas, a sua essência única e a sua igual majestade» (Prefácio da SS. Trindade sobre o mistério da SS. Trindade). «O mistério da Santíssima Trindade é o mistério central da fé e da vida cristã. É o mistério do próprio Deus. É, portanto, a fonte de todos os outros mistérios da fé, e a luz que os ilumina. É o ensinamento mais fundamental essencial na “hierarquia das verdades da fé”. Toda a história da salvação não é senão a história do caminho e dos meios pelos quais o Deus verdadeiro e único, Pai, Filho e Espírito Se revela, Se reconcilia e Se une aos homens que se afastam do pecado» (Catecismo da Igreja Católica n. 234).

O Carmelo é todo Trinitário

Pelo Baptismo, pela Confirmação e pela Eucaristia todos somos trinitários, quer dizer, morada da Santíssima Trindade.

«O que acreditamos por fé entendemos por vista» (Sua Majestade mo fez entender por experiência) (Santa Teresa de Jesus). «Ó meu Deus, Trindade Bem-aventurada, desejo amar-Vos e fazer-Vos amar» (Santa Teresinha); «Ó meu Deus, Trindade que eu adoro, ajudai-me a esquecer-me inteiramente, para me estabelecer em vós imóvel e pacífica como se já estivesse na eternidade (…). Há um Ser, que se chama Amor, e que habita em nós, e quer que vivamos em comunhão de amor com Ele (…). A Eucaristia é o céu na terra, a união entre a Trindade e a Igreja» (Santa Isabel da Trindade). «A Trindade de carne ao Verbo vestia (…). «Aquela eterna fonte neste pão de vida eu a vejo…» (São João da Cruz). «A criatura é a nova trindade, criada para gozar da Trindade incriada (…) porque só para isto foi criada toda a criatura» (Santa Maria Madalena dei Pazzi).

Deus é Trindade, é comunhão, diálogo, relação, comunicação, família. «Quando digo Deus, entendo o Pai, o Filho e o Espírito Santo» (São Gregório de Nazianzo). «Só a Trindade é o único Deus» (Santo Agostinho).

Só uma «Igreja da Eucaristia» é uma «Igreja da Trindade» (João Paulo II). Na Eucaristia celebramos a Santíssima Trindade: «o Pai é amor; o Filho é graça; o Espírito Santo é comunhão. «Louvor e glória a Deus, Trindade Santíssima, Pai, Filho e Espírito Santo, agora e para sempre». «Vês verdadeiramente a Trindade se vês o Amor» (Santo Agostinho). «Ubi caritas, Deus (Trinitas) ibi est».

«A alma vê-se num momento sábia, e tão declarado o mistério da Santíssima Trindade e outras coisas mui subidas, que não há teólogos com quem se não atrevesse a disputar a verdade destas grandezas. Fica-se tão espantada, que basta uma mercê destas para mudar toda uma alma e fazê-la não amar nada a não ser a Quem vê que, sem nenhum trabalho, a tornou capaz de tão grandes bens e lhe comunica segredos tais e trata com ela com tanta amizade e amor, que se não podem descrever» (Santa Teresa de Jesus, Vida 27, 9). «Na terça-feira depois da Ascensão, tendo estado algum tempo em oração depois de comungar, aflita porque me distraia de modo que não podia estar fixa em uma coisa, queixava-me ao Senhor da nossa miserável natureza. Começou-se a inflamar minha alma, parecendo-me entender claramente que tinha presente toda a Santíssima Trindade, em visão intelectual, na qual, por certo modo de representação, que era uma figura da verdade, a fim de que na minha rudeza pudesse compreendê-lo, a minha alma entendeu como Deus é trino e uno. E, assim, parecia-me que as três Pessoas me falavam e se representavam distintamente dentro da minha alma. Foi-me dito que, desde esse dia, eu veria em mim melhoria em três coisas, das quais, cada uma destas Pessoas me fazia mercê: na caridade, no padecer com alegria e no sentir esta caridade com abrasamento na alma. Então entendi eu aquelas palavras que o Senhor diz: que estarão com a alma em graça as três Divinas Pessoas, porque As via dentro de mim, pelo dito modo. Parece que ficaram tão impressas na minha alma aquelas três Pessoas que vi, sendo um só Deus, que, a durar assim, impossível seria deixar de estar recolhida com tão divina companhia» (Santa Teresa de Jesus, Relação 16, 1-2).