Domingo no Carmelo [Domingo IV da Quaresma]

Domingo no Carmelo [Domingo IV da Quaresma]

2019-03-31 0 Por admin

Estimados amigos,

É com enorme alegria que partilhamos a edição do Domingo no Carmelo deste dia.

Este teu irmão estava morto e voltou à vida

«Os pregadores da verdade e ministros da graça divina, todos os que desde o princípio até aos nossos dias, cada uma seu tempo, nos deram a conhecer a vontade salvífica de Deus, nos ensinam que nada é tão grato a Deus e conforme ao seu amor como a conversão dos homens a Ele com sincero arrependimento. E para dar a maior prova da bondade divina, o Verbo de Deus Pai, num acto de humilhação que nenhuma palavra pode explicar, num acto de condescendência para com os homens, dignou-Se habitar entre nós por meio da Incarnação; e realizou, padeceu e ensinou tudo o que era necessário para que nós, seus inimigos e adversários, fôssemos reconciliados com Deus Pai e chamados de novo à felicidade eterna que tínhamos perdido. Por esta razão exclamava: Eu não vim chamar os justos mas os pecadores, para que se convertam. E também: Não são os que têm saúde que precisam de médico, mas os que estão doentes. Disse ainda que viera procurar a ovelha perdida e que fora enviado às ovelhas perdidas da casa de Israel. Deu a entender de um modo mais velado, na parábola da dracma perdida, que tinha vindo restaurar no homem a imagem divina que estava corrompida pelos mais repugnantes vícios. E disse também: Em verdade vos digo: haverá grande alegria no Céu por um só pecador que se arrependa. Mostrou-nos a condescendência e bondade do pai que recebe afectuosamente o regresso do filho pródigo, o abraça porque vem arrependido, o reveste novamente com as insígnias da sua nobreza familiar e esquece todo o mal cometido» (São Máximo Confessor, Cartas)

A ternura do Coração de Jesus

«Como vos queria fazer compreender a ternura do Coração de Jesus… Queria tentar fazer-vos compreender por uma comparação muito simples como Jesus ama as almas, mesmo imperfeitas, que confiam n’Ele: Suponhamos que um pai tem dois filhos travessos e desobedientes e que ao ir castigá-los vê um que treme e se afasta dele com pavor, embora sinta no fundo do coração que merece ser punido; e que o irmão, pelo contrário, se lança nos braços do pai dizendo que lamenta ter-lhe dado desgosto, que o ama e que, para o provar, se portará bem daí em diante; depois, se este filho pedir ao pai para o castigar com um beijo, não acredito que o coração do ditoso pai possa resistir à confiança filial do filho de quem conhece a sinceridade e o amor. Não ignora todavia que o filho mais uma vez cairá nas mesmas faltas mas está disposto a perdoar-lhe sempre, se o filho sempre lhe falar ao coração… Não vos digo nada sobre o primeiro filho, meu querido Irmãozinho, deveis compreender se o pai pode amá-lo tanto e tratá-lo com a mesma indulgência com que trata o outro» (Santa Teresa do Menino Jesus, Carta 258)

«À luz desta inesgotável parábola da misericórdia que apaga o pecado, a Igreja, acolhendo o apelo que nela está contido, compreende a sua missão de se empenhar, seguindo os passos do Senhor, pela conversão dos corações e pela reconciliação dos homens com Deus e entre si, duas realidades que estão intimamente conexas» (João Paulo II).

«O dia da reconciliação era também um dia solene e sagrado. O povo permanecia em oração e jejuava no Santuário; e quando ao entardecer tudo se tinha acabado, havia paz e alegria no coração, porque Deus lhes tinha tirado o peso do pecado e lhes havia dado a sua graça. O que tinha produzido essa reconciliação? Nem o sangue dos animais degolados, nem o Sumo-Sacerdote da Família de Aarão – isto esclareceu-o insistentemente São Paulo na carta aos Hebreus –, mas a verdadeira vítima de Reconciliação, que estava prefigurada em todas as anteriores vítimas prescritas pela Lei, e o Sumo-Sacerdote, segundo a ordem de Melquisedec, em cujo lugar estavam os sumos-sacerdotes da casa de Aarão. Ele é também o verdadeiro Cordeiro Pascal, por cuja causa passou ao lado o anjo exterminador diante das casas dos judeus, quando castigou os egípcios. O próprio Senhor explicou isto aos seus discípulos quando comeu com eles o Cordeiro pascal pela última vez, e se entregou a si mesmo como alimento… Mas… porque elegeu o Cordeiro como símbolo preferido? Porquê se mostra ele ainda nessa forma no trono da glória eterna? Porque foi inocente e humilde como um cordeiro e porque tinha vindo para se deixar levar como um cordeiro ao matadouro. João presenciou também isso quando o Senhor permitiu que o prendessem no Monte das Oliveiras e depois se deixou cravar na cruz no Gólgota. Ali, no Gólgota, foi consumida a verdadeira Vítima da Reconciliação e com ela perderam a sua eficácia todas as antigas oferendas, e em breve cessaram totalmente, assim como o antigo sacerdócio quando da destruição do Templo. João presenciou tudo isto; por isso, não lhe assombrava o Cordeiro sobre o trono, e porque foi uma testemunha fiel foi-lhe mostrada também a esposa do Cordeiro (Edith Stein, As Bodas do Cordeiro)

«Este texto evangélico tem o poder de nos falar de Deus, de nos fazer conhecer o seu rosto, melhor ainda, o seu coraçãoEle é nosso Pai, que por amor nos criou livres e dotados de consciência, que sofre se nos perdemos e que faz festa se voltamos» (Papa Francisco)