Domingo no Carmelo [Domingo V da Quaresma]

Domingo no Carmelo [Domingo V da Quaresma]

2019-04-07 0 Por admin

Estimados amigos,

É com enorme alegria que partilhamos a edição do Domingo no Carmelo deste dia.

Quem de entre vós estiver sem pecado, atire a primeira pedra

«Os escribas e os fariseus tinham conduzido ao Senhor Jesus uma adúltera com esta cilada: se a absolvesse pareceria não ter a Lei em qualquer conta; se, ao contrário, a condenasse, teria atraiçoado a sua missão, uma vez que veio para perdoar os pecados de todos. Por isso, apresentam-lha dizendo: “Mestre, esta mulher foi surpreendida em flagrante adultério. Ora Moisés, na Lei, mandou-nos lapidar mulheres destas. Tu, que dizes ao caso?” Enquanto eles assim diziam, Jesus inclinou a cabeça e pôs-se a escrever no chão com o dedo. E porque esperavam a sua resposta, erguendo a cabeça, disse: “Quem de entre vós estiver sem pecado seja o primeiro a apedrejá-la”. Haverá sentença mais divina do que esta, isto é, que só possa punir os pecados quem estiver sem pecado? Como poderias suportar que castigue os pecados dos outros quem defende os seus? Não se condena por si quem condena nos outros o que ele próprio comete? (…) Admira os divinos mistérios e a clemência de Cristo. Quando a mulher é acusada, Jesus inclina a cabeça, mas ergue-a quando desaparece o acusador; com efeito, Ele não quer condenar ninguém, mas absolver a todos. Que significa então: “vai e não voltes a pecar”? Já que Cristo te redimiu, corrija em ti a graça o que a pena não poderia emendar, mas somente torcer» (S. Ambrósio, Epist. 26, 11-20).

«O sacramento da Penitência ou Reconciliação aplana o caminho a cada um dos homens, mesmo quando sobrecarregados com graves culpas. Neste Sacramento todos os homens podem experimentar de modo singular a misericórdia, isto é, aquele amor que é mais forte do que o pecado (…) A misericórdia em si mesma, como perfeição de Deus infinito é também infinita. Infinita, portanto, e inexaurível é a prontidão do Pai em acolher os filhos pródigos que voltam à sua casa. São infinitas também a prontidão e a força do perdão que brotam continuamente do admirável valor do Sacrifício do Filho. Nenhum pecado humano prevalece sobre esta força nem sequer a limita» (J. Paulo II, Rico em  Misericórdia, n. 13).

«Mãezinha querida, a vossa filhinha ainda há momentos chorou ternas lágrimas, lágrimas de arrependimento mas ainda mais de gratidão e de amor… Ah! esta tarde, mostrei-vos a minha virtude, os meus TESOUROS de paciência!… E eu que prego tão bem aos outros!!! Estou contente por terdes visto a minha imperfeição. Ah! como me fez bem ter sido má!… Não repreendestes a vossa filhinha, e contudo ela merecia-o, mas a filhinha está habituada a essa atitude, a vossa doçura diz-lhe muito mais do que palavras severas, vós sois para ela a imagem da misericórdia de Deus. Sim mas… a Ir. S. J. Baptista pelo contrário é habitualmente a imagem da severidade de Deus, pois bem! acabo de a encontrar, em vez de passar friamente ao meu lado, abraçou-me dizendo-me (exactamente como se eu tivesse sido a mais gentil menina do mundo): «Pobre Irmãzinha, fizestes-me pena, não quero cansar-vos, procedi mal, etc., etc.» Eu que sentia no coração a contrição perfeita, nem podia acreditar que ela não me fizesse nenhuma censura. Sei bem que no fundo ela deve achar-me imperfeita, é porque pensa que vou morrer que me falou assim, mas não importa, ouvi só palavras doces e meigas saírem da sua boca, então achei-a muito boa e a mim muito má… Ao entrar na nossa cela, perguntava a mim mesma o que Jesus pensaria de mim, logo me lembrei destas palavras que ele dirigiu um dia à mulher adúltera: «Alguém te condenou?…» E eu, com as lágrimas nos olhos, respondi-lhe: «Ninguém, Senhor… Nem a minha Mãezinha, imagem da vossa ternura, nem a minha Ir. S. João B., imagem da vossa justiça, e sinto que que posso ir em paz, porque vós também não me condenareis!…»
Mãezinha, porque é Jesus tão meigo para comigo? Porque nunca me repreende?… Ah! na verdade tenho motivos para morrer de gratidão e de amor!…
Sinto-me muito mais feliz por ter sido imperfeita do que se, apoiada pela graça, tivesse sido um modelo de doçura… Faz-me tão bem ver que Jesus é sempre tão meigo, tão terno para comigo!… Ah! desde agora o reconheço; sim, todas as minhas esperanças serão realizadas… Sim, o Senhor fará por nós maravilhas que ultrapassarão infinitamente os nossos desejos imensos!… Mãezinha, Jesus faz bem em Se esconder, em só falar de tempos a tempos e ainda «através de gelosias» (Cânt. dos Cânt.) pois sinto muito bem que não poderia aguentar mais, o meu coração despedaçar-se-ia impotente para conter tanta felicidade… Ah! vós, o doce Eco da minha alma, compreendereis que esta tarde o vaso da misericórdia Divina transbordou sobre mim!… compreendereis que tendes sido e sereis sempre o Anjo encarregado de me conduzir e de me anunciar as misericórdias do Senhor!..» (Santa Teresa do Menino Jesus, Carta 230 à Madre Inês de Jesus).

«Jesus veio salvar-nos, revelando-nos o rosto misericordioso de Deus e aproximando-nos d’Ele com o sue sacrifício de amor. Daí sempre devemos recordar que o Sacramento da Reconciliação é um verdadeiro e próprio caminho de santificação; é o sinal efectivo que Jesus deixou à Igreja para que a porta da casa do Pai esteja sempre aberta e para que assim seja sempre possível o regresso dos homens a Ele» (Papa Francisco, Discurso aos participantes no 30º Curso sobre o Foro interno, 29/3/2019).

«O mundo dos homens só poderá tornar-se “cada vez mais humano” quando introduzirmos em todas as relações recíprocas, que formam a sua fisionomia moral, o momento do perdão, tão essencial no Evangelho. O perdão atesta que no mundo está presente o amor mais forte que o pecado. O perdão, além disso, é a condição fundamental da reconciliação, não só nas relações de Deus com o homem, mas também nas relações recíprocas dos homens entre si» (J. Paulo II, Rico em Misericórdia, n. 14).