Domingo no Carmelo [Domingo XII do Tempo Comum]

Domingo no Carmelo [Domingo XII do Tempo Comum]

2019-06-23 0 Por admin

Queridos amigos,

Com enorme alegria partilhamos a edição desta semana do Domingo no Carmelo.

«És o Messias de Deus»
«O Filho do homem tem de sofrer muito»

«Se alguém quiser seguir-Me, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz e siga-Me. Parece duro e pesado o que o Senhor mandou: se alguém quiser segui-l’O, tem de renunciar a si mesmo. Mas não é duro nem pesado o que manda Aquele mesmo que ajuda a fazer o que manda. Que significa: Tome a sua cruz? Quer dizer: Aceita tudo quanto custa e segue-Me. Na verdade, quem começar a seguir-Me nos meus exemplos e preceitos, encontrará muitos que o critiquem, muitos que criem dificuldades, muitos que o dissuadam; encontrá-los-á mesmo entre os que parecem discípulos de Cristo. Andavam com Cristo os que proibiam os cegos de clamar. Tu, portanto, no meio de ameaças ou carinhos ou de proibições, sejam elas quais forem, se quiseres seguir a Cristo, volta-te para a cruz; suporta-a, leva-a e não sucumbas. Sigam a Cristo todos os membros da Igreja, cada um no seu lugar próprio, na sua condição, na sua medida. Mas renunciem a si mesmos, isto é, não presumam de si; e tomem a sua cruz, quer dizer, suportem no mundo, por amor de Cristo, tudo o que o mundo lançar contra eles. Amem o único que não ilude, o único que não é enganado nem engana; amem-n’O, porque é verdade oque Ele promete. A tua fé vacila, porque tardam as suas promessas; mas sê constante, perseverante e paciente, resigna-te com o adiamento. Assim se leva a cruz» (S. Agostinho, Sermão).

O «MESTRE DA CIÊNCIA DA CRUZ» E O «CONTEÚDO DA MENSAGEM DA CRUZ»

«“Quão apertada é a porta e estreito o caminho que conduz à vida, e como são poucos os que o encontram” (Mt 7, 14). Naquela autoridade devemos notar com atenção aquele exagero e encareci­mento que contém em si aquela partícula quam. Porque é como se dissesse: verdadeiramente é muito apertada…; porque esta senda do alto monte da perfeição, que sobe até ao cimo e é estreita, requer tais viandantes que nem levem carga que lhes faça peso quanto ao sensitivo nem coisa que lhes faça embaraço quanto ao espiritual; e pois se trata de procurar e chegar até Deus, só a Deus é que se deve procurar e alcançar…

Pelo que Deus, instruindo-nos e guiando-nos Deus neste caminho, disse por São Marcos, aquela tão admirável doutrina, não sei se diga tanto menos exercitada pelos espirituais quanto mais lhes é necessária… “Se alguém quiser ser meu discípulo negue-se a si mesmo, tome a sua cruz e siga-Me. Porque quem qui­ser salvar a sua vida, perdê-la-á; mas quem por mim a perder, ganhá-la-á” (Mc 8, 34 ss.). Oh! quem pudesse dar a entender aqui, e exercitar, e saborear que coisa seja este conselho que nos dá o Se­nhor…: aniquilação de toda a suavidade em Deus, secura, dissabor, trabalhos, que é a cruz espiritual pura e desnudez de espírito pobre de Cristo… Porque o verdadeiro espírito antes busca o que é amargo, em Deus, do que o saboroso, e inclina-se mais para o padecer do que para a consolação, e mais a carecer de todos os bens, por Deus, do que a possuí-los, e às securas e aflições do que às doces comunica­ções, sabendo que isso é seguir a Cristo e negar-se a si mesmo. De outra maneira, porventura, talvez ande a buscar-se a si mesmo em Deus… Mas procurar a Deus em si… é inclinar-se a escolher por Cristo tudo o que é mais desabrido”. Este desprendimento confor­me à vontade de Deus “deve ser um morrer e aniquilar-se a tudo o que a vontade aprecia no temporal, natural e espiritual”. Quem desta maneira leva a cruz experimentará que ela é um “jugo suave” e uma “carga leve” (Mt 11, 30), assim, “em todas elas encontrará grande alívio e suavidade”. “E quando chegar a converter-se em nada, que será a suma humildade, ficará consumada a união espiritual entre a alma e Deus… que consiste… numa viva morte de cruz sensitiva e espiritual, isto é, interior e exterior» (2 S 7 2-11). Isto não pode ser doutra maneira, porque segundo o admirável plano de salvação de Deus, Cristo, «por aqueles mesmos meios pelos quais a natureza humana ficou corrompida e perdida, dizendo que, assim como por meio da árvore vedada no paraíso ficou perdida e estragada, na natureza hu­mana, por Adão, assim na árvore da cruz foi redimida e reparada” a alma. Quem quiser tomar parte na sua vida deve caminhar como Ele para a morte de cruz, crucificar como Ele a própria natureza com uma vida de mortificação e de negação de si mesmo e oferecer-se à crucifixão no sofrimento e na morte, tal como Deus quiser dispor ou permitir. Quanto mais perfeita for esta crucifixão activa e passiva, tanto mais íntima será a união com o Crucificado e tanto mais rica a participação na vida divina […] É bom venerar o Crucificado na sua imagem e preparar ima­gens que favoreçam a sua veneração. Mas melhor do que as imagens de madeira ou de pedra são as imagens vivas. Formar almas à ima­gem de Cristo, plantar a cruz nos seus corações, foi esse o ideal de vida do Reformador da Ordem e guia de almas. Esse era o objectivo dos seus escritos»» (Edith Stein, Ciência da Cruz).

«Oh grande Deus de amor, e Senhor! Quantas riquezas vossas depositais em quem só Vos ama e saboreia! Entregais-vos a vós mesmo e fazeis-vos uma só coisa com ele por amor, dando-lhe, assim, a saborear e amar o que a alma mais quer de Vós e mais lhe aproveita! Porém, como convém que não nos falte cruz até à morte de amor, como ao nosso Amado, Ele ordena as nossas paixões no amor do que mais desejamos, a fim de que façamos maiores sacrifícios e mais valor tenhamos» (S. João da Cruz, Carta 11).

«Cristo, que nos salvou dos nossos pecados na Cruz, com o mesmo poder da sua entrega total, continua a salvar-nos e resgatar-nos hoje. Olha para a sua Cruz, agarra-te a Ele, deixa-te salvar, porque, «quantos se deixam salvar por Ele, são libertados do pecado, da tristeza, do vazio interior, do isolamento». E, se pecares e te afastares, Ele volta a levantar-te com o poder da sua Cruz. Nunca esqueças que «Ele perdoa setenta vezes sete. Volta uma vez e outra a carregar-nos aos seus ombros. Ninguém nos pode tirar a dignidade que este amor infinito e inabalável nos confere. Ele permite-nos levantar a cabeça e recomeçar, com uma ternura que nunca nos defrauda e sempre nos pode restituir a alegria […]. Fixa os braços abertos de Cristo crucificado, deixa-te salvar sempre de novo. E quando te aproximares para confessar os teus pecados, crê firmemente na sua misericórdia que te liberta de toda a culpa. Contempla o seu sangue derramado pelo grande amor que te tem e deixa-te purificar por ele. Assim, poderás renascer sempre de novo» (Papa Francisco, Exortação Apostólica Pós-Sinodal Christus Vivit).