Domingo no Carmelo [Domingo XIII do Tempo Comum]

Domingo no Carmelo [Domingo XIII do Tempo Comum]

2019-06-30 0 Por admin

Estimados amigos,

Apresentamos a edição desta semana do Domingo no Carmelo.

«Tomou a decisão de Se dirigir a Jerusalém».
«Seguir-Te-ei para onde quer que fores»

«Este é o paradoxo, o profundo drama do nosso tempo: em nome da liberdade impõe-se a escravidão… Este é caminho que leva à verdadeira liberdade, o caminho que o Apóstolo nos indica: a atitude de serviço e amor recíproco. O homem não chega a ser livre senão mediante a entrega desinteressada de si mesmo a Deus e ao próximo. O exemplo dessa liberdade oferece-no-lo hoje o profeta Eliseu, quando segue a chamada divina escutada dos lábios do profeta Elias; e também no-lo oferecem os interlocutores de Cristo na passagem do evangelho de hoje, quando dizem: “Seguir-te-ei, Senhor…”; ou “Seguir-te-ei para onde quer que fores» (Lc 9, 61. 57)… Esta é a lei fundamental da liberdade. Livres para amar. Livres para servir (…).

Queremos acolher novamente a mensagem de Cristo sobre a liberdade; queremos pô-la em prática na nossa vida pessoal e social. Queremos intensificar a nossa luta contra todas as formas de escravidão que nos ameaçam hoje em dia. Queremos converter-nos em apóstolos do reino de Deus, reino de liberdade, de justiça, de amor e de paz. Cristo chama-nos. Ele mesmo nos diz nas páginas do evangelho: “Segue-Me!” (Lc 9, 59). Nesta chamada ouve-se o eco de uma espécie de urgência. É necessário dar-se pressa, deixar as coisas às vezes muito próximas ao homem para se entregar completamente a essa causa muito mais importante: “Tu, vai anunciar o reino de Deus” (Lc 9, 60) (…). O mundo invoca a Cristo e o seu evangelho da liberdade. O mundo (…) espera a nova evangelização. Cristo não se cansa de nos convidar e chamar: «Segue-Me”. «Tu, vai anunciar o reino de Deus” (J. Paulo II, Homilia na paróquia de São Estanislau 28-6-1992).

Jesus, no início da sua viagem para Jerusalém, alertou os discípulos para a seriedade e a radicalidade da sua vocação, do seu caminho, exigindo-lhes renunciar a tudo para dar prioridade e urgência ao seguimento de Jesus, o tesouro do Reino dos Céus. Jesus, que nos chamou a segui-Lo, ensina-nos o que é «subir com Ele a Jerusalém», o que é ser seu «discípulo». O seguimento de Jesus é incondicional. Ele pode pôr-nos condições a nós e não nós a Ele.

Quantas condições pomos para seguir Jesus, as quais são a causa de tão poucas vocações sacerdotais, religiosas, missionárias e laicais. Resistimos tanto a entregar a vida com generosidade em favor dos outros. Os esposos põem condições para ter filhos; os pais para entregar os filhos a Deus que lhos deu; os jovens para deixar a sua segurança e bem-estar. Até parece que queremos estar de bem com Deus, mas sem estar de mal connosco! É preciso muita graça para seguir Jesus, mas também muita generosidade! «Se ouvires a voz do vento, a decisão é tua».

«Tenho para mim que o Senhor quer dar muitas vezes no princípio, e outras vezes no fim, estes tormentos e outras muitas tentações, que se oferecem, para experimentar a Seus amadores e saber se poderão beber o cálice e ajudá-Lo a levar a cruz, antes de lhes confiar grandes tesouros. (…) Que fazeis Vós, Senhor, meu, que não seja para maior bem da alma que entendeis já ser Vossa e que se põe em Vosso poder para seguir-Vos por onde fordes até à morte da cruz, e que está determinada a ajudar-Vos a levá-la e a não Vos deixar só com ela? (…). Haverá muitos, e há realmente, que começaram e nunca acabam de começar. E creio ter nisto grande parte este não abraçar a cruz desde o princípio. E andarão aflitos parecendo-lhes que não fazem nada! Em deixando de obrar o entendimento não o podem sofrer, e porventura é então que medra a vontade e cobra forças e eles não o entendem» (…). Comece por não se espantar da cruz e verá como o Senhor também lha ajuda a levar, e o contento com que anda e o proveito que tira de tudo (…). Grande fundamento é, para se livrar dos ardis e gostos vindos do demónio, uma alma começar com a determinação de seguir caminho de cruz desde o princípio e de não desejar as ditas consolações. O mesmo Senhor nos ensinou este caminho de perfeição ao dizer: “Toma a tua cruz e segue-Me”. É Ele o nosso modelo; não tem que temer quem, só para O contentar, segue Seus conselhos» (V 11, 13. 15. 18; 15, 13).

«A maior prova da fiabilidade do amor de Cristo encontra-se na sua morte pelo homem. Se dar a vida pelos amigos é a maior prova de amor (Jo 15, 13), Jesus ofereceu a sua vida por todos, mesmo por aqueles que eram inimigos, para transformar o coração. É por isso que os evangelistas situam, na hora da Cruz, o momento culminante do olhar de fé: naquela hora resplandece o amor divino em toda a sua sublimidade e amplitude. São João colocará aqui o seu testemunho solene, quando, juntamente com a Mãe de Jesus, contemplou Aquele que trespassaram (Jo19, 37): «Aquele que viu estas coisas é que dá testemunho delas e o seu testemunho é verdadeiro. E ele bem sabe que diz a verdade, para vós crerdes também» (Jo19, 35). Na sua obra O Idiota, Fiódor Mikhailovich Dostoiévski faz o protagonista – o príncipe Myskin – dizer, à vista do quadro de Cristo morto no sepulcro, pintado por Hans Holbein o Jovem: «Aquele quadro poderia mesmo fazer perder a fé a alguém»; de facto, o quadro representa, de forma muito crua, os efeitos destruidores da morte no corpo de Cristo. E todavia é precisamente na contemplação da morte de Jesus que a fé se reforça e recebe uma luz fulgurante, é quando ela se revela como fé no seu amor inabalável por nós, que é capaz de penetrar na morte para nos salvar. Neste amor que não se subtraiu à morte para manifestar quanto me ama, é possível crer; a sua totalidade vence toda e qualquer suspeita e permite confiar-nos plenamente a Cristo» (Papa Francisco, Lumen Fidei, n. 16).