Domingo no Carmelo

Domingo XIV do Tempo Comum

«Um profeta só é desprezado na sua terra»

Naquele tempo,Jesus dirigiu-se à sua terra, a Nazaré, acompanhado pelos seus discípulos, e, no sábado, entrou na sinagoga, e, fazendo uso do direito que tinha todo o israelita adulto, começou a ler e a ensinar a Escritura. Os habitantes de Nazaré admiravam-se da sabedoria (doutrina) e dos milagres do carpinteiro, filho de Maria e irmão de Tiago, José, Judas e Simão, e suas irmãs, e ficam perplexos a seu respeito. A sua admiração acaba em escândalo, incompreensão e rejeição. Recusam-se a aceitar Jesus como profeta e enviado de Deus. Jesus disse-lhes: “Um profeta só é desprezado na sua terra, entre os seus parentes e em sua casa”. Já naquele tempo os «santos da terra não fazem milagres». O preconceito impedia a e o milagre. «Não podia ali fazer qualquer milagre, apenas curou alguns doentes». Deus escolhe os fracos e humildes para confundir os poderosos e soberbos que se auto-excluem da salvação de Deus. Jesus fica surpreendido com a descrença dos seus familiares e discípulos. Estava admirado com a falta de fé daquela gente. Censura-lhes a falta de fé: «Têm olhos e não vêem, ouvidos e não ouvem». É-lhes difícil crer que Jesus, o carpinteiro, é Filho de Deus. «Veio para o que era seu, e os seus não O receberam, mas a quantos O receberam, aos que n’Ele crêem, deu-lhes o poder de se tornarem filhos de Deus». Por falta de fé, para eles, Jesus era apenas o filho do carpinteiro. O conhecimento deles é desconhecimento do mistério e do ministério de Jesus. Conheciam-no enquanto homem, mas não O conheciam enquanto Deus (S. Agostinho). Os «irmãos de Jesus», os primos e as primas de Jesus, não conseguem entender o mistério da pessoa de Jesus. Os primeiros a dever aceitar o Evangelho são os primeiros a não o aceitar. Jesus é recusado, como profeta, pela gente de Nazaré, que se fecha a Jesus.

Assim, Jesus identifica-se com os profetas de Israel sendo desprezado na sua pátria. Deus disse pela boca do profeta Ezequiel ao povo de Israel exilado na Babilónia: «Saberão que há um Profeta no meio deles». Os discípulos, que acompanham o Mestre, comprovam que os profetas podem ser escutados ou não, consoante houver fé ou rebeldia contra Deus. Jesus fez a experiência do profeta desprezado na sua terra. A é acolhimento de Jesus profeta e da sua missão. A descrença é a rejeição de Jesus e da sua mensagem de salvação. A descrença – «não pode fazer ali qualquer milagre» – significa que fora da fé o milagre não tem sentido. Não basta ser conterrâneo ou parente de Jesus, não basta admirar a sua sabedoria e os seus milagres. É precisa a para aceitar o mistério da sua Pessoa, a sua mensagem e tornar-se seu discípulo. Jesus prega a Palavra de Deus entre os seus, como os profetas, mesmo que façam pouco caso dele e do que diz.

Os seus «familiares» não têm fé, mantêm-se distantes, mas, apesar da falta de fé dos seus conterrâneos e familiares, não desanima e percorria as aldeias dos arredores, ensinando, anunciando o Evangelho do reino… Ele é o Filho de Deus que tem o poder de salvar, mesmo da morte, pela fé. «Não podia crer que houvesse ímpios que não tivessem fé… Jesusfez-me compreender que há verdadeiramente almas que não têm fé,almas que, por abuso das graças perdem esse precioso tesouro, fontedas únicas alegrias puras e verdadeiras» (S. Teresinha). Os verdadeiros “parentes” de Jesus são os que ouvem a Palavra de Deus acreditam nela e a põem em prática. A nossa comunidade cristã é hoje Nazaré, a terra de Jesus, para acolhermos o Profeta nos profetas que Ele nos envia… Acolhemo-los com fé? Como estamos a acolher Jesus, nós seus discípulos? Apagamos o seu Espírito e desprezamos a sua Profecia? Sem fé não há milagres. Mas “a confiança faz milagres»: «Só a confiança e nada mais do que a confiança tem de conduzir-nos ao Amor… O medo não conduz à Justiça?» (Santa Teresinha).

Padre Manuel Reis

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