Foi no mistério dos tempos,
Quando despertou a aurora,
Que a Palavra desceu ao mundo,
Abraçando a carne humana
E a fria noite do tempo.
A chama que nunca morre,
Entrou dentro da criação,
Desde o princípio sempre amada
E no princípio por ela criada,
Desceu o amor ao abismo do mundo.
Pois deseja a chama eterna
Abrasar o universo do seu amor,
E fruto desse desejo criador
À plenitude elevou o Homem
Por quem anseia desde a aurora.
E andou nas areias deste mundo,
Aquele que cantava antes dos tempos,
Tão cheio de amor andou doente,
E não contente com seu abaixamento,
Quis vencer a mansão dos mortos.
João Sottomayor
8 de dezembro de 2023

