«Arrependei-vos, porque está perto o reino dos Céus»
Deus, pela Sua Palavra, chama-nos hoje à conversão dos nossos erros e pecados para nas boas obras prepararmos o caminho do Senhor, os caminhos da justiça e da paz no nosso mundo de hoje. O Senhor mudará a situação do mundo pela nossa conversão e pelas nossas boas obras. Pelo profeta Isaías, anuncia a vinda de um rei que virá exercer a justiça e a paz. No tempo do Messias os homens e as mulheres aprenderão com Ele a viver em justiça e paz uns com os outros. Ele será contra a guerra e restabelecerá a paz. Até mesmo os inimigos de morte hão de chegar a um acordo de paz definitiva. No seu reino tornar-se realidade o paraíso, a harmonia e a paz entre os animais, entre os homens, entre estes e os animais. «Um menino os conduzirá». Cheio dos sete dons do Espírito Santo» – «sairá um rebento sobre o qual repousará o espírito do Senhor» – cumprirá todas as nossas esperanças, a saber, governará, segundo a vontade de Deus. «O Espírito do Senhor está sobre mim»: «Não julgará pelas aparências, nem decidirá pelo que ouvir dizer» (Is 11, 3). «Nesse dia, a raiz de Jessé surgirá como bandeira dos povos; as nações virão procurá-la e a sua morada será gloriosa».
Ele é a esperança da humanidade – «dai ao mundo a paz em nossos dias» – e da Igreja: «dai-lhe a união e a paz, segundo a vossa vontade». Com Ele nada continuará como dantes, neste Advento e Natal tudo se renovará se nos «convertermos», «prepararmos o caminho do Senhor», e «promovermos a justiça e a paz», a «começar por casa». O profeta Isaías tinha anunciado que o Messias «julgará os infelizes com justiça». «Nos dias do Senhor, nascerá a justiça e a paz para sempre»: «Florescerá a justiça nos seus dias e uma grande paz até ao fim dos tempos (…) Nele serão abençoadas todas as nações, todos os povos da terra o hão de bendizer». «Eu Vos bendirei entre as nações e cantarei a glória do vosso nome» (Sl 71, 7. 17). No Advento, comprometemo-nos a preparar o Reino de Deus lutando pela justiça e a paz.
São Mateus, no Evangelho, apresenta-nos a pregação de João Batista no deserto da Judeia, chamando a todos a e cada um à conversão, dizendo: «Arrependei-vos, porque está perto o reino dos Céus». Já o profeta Isaías falara da missão de João Baptista: «Foi dele que o profeta falou ao dizer: «Uma voz clama no deserto: ‘Preparai o caminho do Senhor’, endireitai as suas veredas’». João Batista preparou o caminho do Senhor tão esperado pelo povo de Israel, qual novo Elias, pedindo que as pedras se convertam em filhos de Deus. João Batista é o profeta que nos convida a preparar urgentemente a vinda do Senhor e nos chama à conversão e ao cumprimento da vontade de Deus. O Batista é uma figura do Advento com a mesma mensagem cheia de esperança de Jesus: «Está perto o reino dos Céus… Ele batizar-vos-á no Espírito e no fogo». A multidão confessa os seus pecados, é batizada por ele no rio Jordão, como expressão da sua conversão. «Preparai o caminho do Senhor, endireitai as suas veredas e toda a criatura verá a salvação de Deus». É um programa espiritual que nos compromete na preparação da festa do Natal de Jesus, por meio do «arrependimento» e da «preparação do caminho do Senhor».
São Paulo convida-nos, à luz da Sagrada Escritura, como aos cristãos de Roma, a tudo fazermos para promover a justiça e a paz que edifica a comunidade cristã. A instrução da Escritura anima a esperança da Igreja de todos os tempos, a da «união e da paz» entre todas as comunidades cristãs. A união permite uma verdadeira liturgia que dá glória a Deus: «Numa só alma e com uma só voz, glorifiqueis a Deus, Pai de Nosso Senhor Jesus Cristo». Deus, em Cristo, acolheu a sua Igreja, os judeus, pela fidelidade às Suas promessas, e os pagãos, por pura graça da sua misericórdia. Por isso, os cristãos devemos acolher-nos uns aos outros: «Acolhei-vos uns aos outros, como Cristo vos acolheu, para glória de Deus». Por meio de Jesus e da Igreja, a promessa de Deus ao povo de Israel, estende-se a todos os povos da terra. Se nos convertermos, então, o Messias vem fazer justiça e instaurar a paz com a nossa colaboração. «Pratiquemos ações – de justiça e de paz – que se conformem ao nosso arrependimento», para «vermos a salvação de Deus».
Com o Papa Leão XIV, rezemos pela justiça, a paz e a fraternidade para que se torne possível o bem comum no nosso mundo fragmentado.
Senhor Jesus,
Tu, que na diversidade és um só
e olhas com amor para cada pessoa,
ajuda-nos a nos reconhecermos como irmãos e irmãs,
chamados a viver, rezar, trabalhar e sonhar juntos.
Que os exemplos concretos de paz,
justiça e fraternidade nas religiões
nos inspirem a acreditar que é possível viver
e trabalhar juntos, para além das nossas diferenças.
Que as religiões não sejam usadas como armas ou muros,
mas vividas como pontes e profecia:
tornando possível o sonho do bem comum,
acompanhando a vida, sustentando a esperança
e sendo fermento da unidade em um mundo fragmentado.
Amén.
Padre Manuel Reis

