Domingo no Carmelo

Domingo III do Advento

«És tu Aquele que há de vir ou devemos esperar outro?»

O evangelista S. Mateus diz-nos, no Evangelho de hoje, que João Batista, na prisão, tendo ouvido falar das obras de Cristo, mandou-Lhe dizer pelos seus discípulos: «És tu Aquele que há de vir ou devemos esperar outro?».  Pelas «obras» do homem, conhece-se o homem, a sua identidade, a sua vocação e missão. Jesus autorretratou-se não com «palavras», mas com as «obras» que realizava. No entanto, faltava-lhe ainda realizar a obra maior da nossa redenção pela sua morte de Cruz e ressurreição gloriosa. João pertence ao tempo de preparação, com Jesus surge o tempo do cumprimento. Jesus é o «centro do tempo», dividiu a história em duas partes: ante Christum natum e post Christum natum. Com Jesus soou a hora decisiva da história: diante d’Ele impõe-se a decisão da qual depende a salvação ou a condenação. É «sinal de contradição» para muitos em Israel: «Ou por Ele ou contra Ele». Evangelizou a muitos e escandalizou a muitos. Impõe-se a alternativa da fé ou do escândalo diante o Messias crucificado: «Bem-aventurado aquele que não encontrar em Mim motivo de escândalo». «Existe algo novo: já está a caminho; não o reconheceis?» (Is 43, 19).

Jesus louvou publicamente a João e realçou a sua função única na história da salvação: «Que fostes ver ao deserto? Uma cana agitada pelo vento? Então que fostes ver? Um homem vestido com roupas delicadas?… Que fostes ver então? Um profeta? Sim – Eu vo-lo digo – e mais que profeta. É dele que está escrito: «Vou enviar à tua frente o meu mensageiro, para te preparar o caminho». João é reconhecido e retratado por Jesus como o precursor do Messias: «Em verdade vos digo: Entre os filhos de mulher, não apareceu ninguém maior do que João Baptista. Mas o menor no reino dos Céus é maior do que ele». João Batista reconheceu a novidade de Jesus e converteu-se ao novo estilo de Deus em Cristo e à sua nova esperança da salvação, não pelos méritos, mas pela graça. João inaugurou a nova profecia da Igreja revelando a presença escondida de Cristo no mundo: «No meio de vós há alguém a quem não conheceis» (Jo 1, 26).  João Batista é figura típica do Advento, porque prepara o coração dos homens para acolher o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo (Jo 1, 35-36). Deus enviou João Batista para ele nos introduzir na fé em Jesus.

«Depois daquela ténue luz do Precursor, veio a Luz claríssima de Cristo; depois da voz, veio a Palavra; depois do amigo do esposo, veio o Esposo. O Senhor veio depois daquele que para Ele preparou um povo escolhido, predispondo os homens, por meio da água purificadora, para receberem o batismo do Espírito. Foi necessário que Deus Se fizesse homem e morresse, para que tivéssemos a vida. Morremos com Ele para sermos purificados. Ressuscitámos com Ele, porque com Ele morremos. Fomos glorificados com Ele, porque com Ele ressuscitámos» (S. Gregório de Nazianzo).

«O mistério de João Batista realiza-se também hoje no mundo». O mistério de Jesus é sempre novo e renovado na vida da Igreja: «Eu estarei convosco até ao fim dos tempos». Está connosco como Senhor e Salvador. Quer e pode continuar a salvar, a curar, a mudar, a melhorar este mundo, mas pede a colaboração da nossa caridade para que sempre, e sobretudo, neste tempo de Advento e Natal, a graça de Deus, na Eucaristia, desça do céu à terra sobre todos nós. «A alegria do Evangelho enche o coração e a vida daqueles que se encontram com JesusCom Jesus renasce sem cessar a alegria» (Papa Francisco). Alegria pela vinda do Senhor no fim dos tempos e pela próxima vinda na sua nova Encarnação no nosso coração. «Todo o teu bem e esperança está tão cerca de ti, que está em ti, ou para dizer melhor, tu não podes estar sem ele… Goza e alegra-te no teu interior recolhimento com Ele, pois o tens tão cerca» (S. João da Cruz).

«Deus está perto de nós / E já se sente pulsar / O coração do Senhor / Que vem connosco morar» (Hino de Advento)

Padre Manuel Reis

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