Domingo no Carmelo

Domingo IV do Advento

Jesus nascerá de Maria, noiva de José, filho de David

Esperamos com Maria e José o nascimento de Jesus. Eles, que «esperaram com inefável amor o Natal do Senhor», ajudam-nos a acolher a Palavra feita carne, que «habita entre nós» e mora connosco na Eucaristia. São Mateus realça que a promessa de Deus se cumpre com o nascimento de Jesus no seio de Maria, por obra do Espírito Santo. Os dois são chamados a colaborar no mesmo projeto de Deus, cada um a seu modo, mas pelo mesmo caminho de fé: «É que não sei – escreve Teresa de Jesus – como se pode pensar na Rainha dos Anjos – no tempo em que tanto passou com o Menino Jesus – sem que se dê graças a São José pelo muito que então Os ajudou».

O Anjo anunciou a José o nascimento de Jesus do seguinte modo. «Maria, sua Mãe, noiva de José encontrara-se grávida por virtude do Espírito Santo». Jesus é filho de Deus por meio de Maria por conceção virginal e filho de David por meio de José por adoção. A Encarnação do Verbo realizou-se no seio da Virgem Maria pela ação do Espírito Santo. José, filho de David, «não temas receber Maria», tua esposa, e O que dela vai nascer. José obedeceu e «fez com o Anjo lhe ordenara e recebeu a sua esposa». É o «sim» de José. Fará de pai de Jesus, um filho que não era seu, mas era o seu Deus. José mostrou a sua justiça relativamente a Maria, em primeiro lugar, cumprindo a lei, «resolvendo repudiá-la segredo»; em segundo lugar, acreditando em Deus, acolhendo-o no seu Filho, para que seja «filho de David» segundo a carne. «O que Deus uniu não o separe o homem». Em Jesus, verdadeiro Deus e verdadeiro homem, a história humana entra em comunhão com a divina. «Deus seria homem e o homem Deus seria». «Os dois – Cristo e a Igreja – serão uma só carne». O Céu e a terra abraçam-se: «Chegado o tempo em que havia de nascer, como desposado de seu tálamo saía, abraçado com sua esposa, que nos seus braços trazia».

Deus deu o seu “sim” à nova humanidade. Jesus, Maria e José, deram o seu “sim” à vontade de Deus, porque acreditaram firmemente e esperaram alegremente o cumprimento das promessas de Deus. Eles viveram antecipada e perfeitamente o lema do Ano Jubilar Sanjoanino: «esperança do céu tanto alcança quanto espera». «Acerca de Deus, ensina-nos João da Cruz, quanto mais espera a alma, mais alcança». «Porque esperas? Porque tardas?», pergunta ele a Deus. João acaba por responder a Deus: «Não tardarás, se eu espero». Esperar é crer e amar mais a partir de agora: «desde já podes amar a Deus em teu coração». «O coração não se satisfaz com menos que Deus». A espera termina com a posse total: «meus são os céus, minha é a terra… e a Mãe de Deus e São José… e o mesmo Deus é meu e para mim, porque Cristo é meu e todo para mim».

O sim de José vem no seguimento do sim de Maria. Acreditou em Deus e recebeu Maria e Jesus obedecendo ao que o Anjo do Senhor lhe ordenou: «Feliz és tu, José, porque acreditaste». Foi assim como «desceu o orvalho do alto dos céus e as nuvens choveram o Justo. Abriu-se a terra e germinou o Salvador». A Igreja, consciente da missão salvadora de Jesus, com a colaboração de Maria e José, celebra a nova encarnação do Deus connosco na Eucaristia. «E com eles continuamente Ele mesmo ficaria». Na sagrada comunhão, pelo nosso consentimento faz-se o mistério, a Trindade veste o Verbo de carne e o Verbo fica encarnado no seio da Igreja e no presépio do coração dos comungantes. «Deus está escondido na alma, aí o há de buscar com amor o bom contemplativo». O Natal eucarístico é a Páscoa do Senhor, a «festa da nossa salvação». «O pranto do homem em Deus e no homem a alegria». Na «alegria da esperança», «obedeçamos na fé» ao Senhor neste Advento e Natal com a nossa conversão a Deus e o nosso compromisso de fazermos a Sua vontade e construirmos o seu reino glorioso dentro e no meio de nós.

Padre Manuel Reis

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