Domingo no Carmelo

Epifania do Senhor

«Viemos do Oriente adorar o Rei»

«Virão adorar-Vos, Senhor, todos os povos da terra».
«Hoje celebramos o dia em que o Senhor foi adorado pelos gentios».
«Ao ver a estrela, sentiram grande alegria. Entraram na casa, viram o Menino com Maria, sua Mãe, e, prostrando-se diante d’Ele, adoraram-n’O».

«Ele está presente como naquela época estava presente em Belém. Convida-nos para aquela peregrinação interior que se chama adoração» (Bento XVI). «Olhemos os Magos que vêm em peregrinação e, como Igreja sinodal, a caminho, vamos a Belém, onde está Deus no homem e o homem em Deus; onde o Senhor ocupa o primeiro lugare é adorado; onde os últimos ocupam o lugar mais próximo d’Ele; onde pastores e Magos estão juntos numa fraternidade mais forte do que qualquer distinção. Que Deus nos conceda ser uma Igreja adoradora, pobre, fraterna. Isto é o essencial. Voltemos a Belém» (Papa Francisco).

Olhemos os Magos. Voltemos a Belém. «Aonde, te escondeste, Amado?». Contemplemos o Amado no presépio. «Deus no presépio ali chorava e gemia, e a Madre estava em pasmo de tal troca que via: o pranto do homem em Deus e no homem a alegria» (Rom 9). «Não me tirarás, meu Deus, o que uma vez me deste no teu único Filho Jesus Cristo, em que me deste tudo o que quero; por isso, folgarei, pois não tardarás se eu espero» (D 29). «O ofício que ordinariamente a esperança faz na alma é levantar-lhe os olhos a olhar só para Deus… Só a esperança de Deus dispõe puramente a memória para a unir com Deus» (2 N 21, 7.9).

Ele olha-nos na Eucaristia e imprime em nós a Sua graça para merecermos adorar e amar o Amado escondido na «ceia que recreia e enamora». «Aquela eterna fonte está escondida neste vivo pão para nos dar vida, ainda que é de noite» (CB 32). Alegremo-nos com Ele no nosso recolhimento interior. Aí – dentro de nós – O adoremos. Sabemos onde o nosso Amado está escondido. O lugar certo onde o nosso Amado está escondido é em nós, no meio de nós, dentro de nós.

«E, se é uma grande consolação para a alma saber que Deus nunca a abandona, mesmo quando em pecado mortal, quanto mais não o será para a que vive em graça! Então, ó alma, o que é que desejas e procuras fora de ti, se é em ti que estão as tuas riquezas, as tuas delícias, a tua consolação, a tua riqueza e o teu reino, ou seja, o teu Amado, que a tua alma tanto deseja e procura! E, já que O tens tão perto, goza e alegra-te com Ele no teu recolhimento interior. Aí O deseja e adora, e não O procures fora de ti, porque, além de te distraíres e cansares, não O encontrarás nem possuirás com tanta certeza, nem tão depressa, nem mais perto, do que dentro de ti! Só precisas de saber uma coisa: embora esteja dentro de ti, está escondido. Saber onde está escondido já é uma grande coisa para dar com Ele no lugar certo! É isto o que tu aqui pedes, ó alma, quando, com amor afetuoso, perguntas: Aonde Te escondeste? (CB 1, 8).

Na graça da Eucaristia, merecemos o seu amor e somos capazes de adorar graciosamente o nosso Amado e de fazer obras dignas da Sua graça e do seu amor. Levantemos os olhos da nossa alma e adoremos na graça o que vemos no nosso Deus. «Com o seu rosto cheio de graças», diz-nos: «Eu sou teu e para ti e gosto de ser tal qual sou para ser teu e para me dar a ti» (CH 3, 6). Mereçamos adorar «o rosto cheio de graças» do Senhor. «O mesmo Deus é meu e para mim, porque Cristo é meu e todo para mim» (D 31). Estamos obrigados a conhecer e amar o nosso Deus, obrigados a adorá-lo e servi-lO. «É isto o que se atinge no estado de união: a alma não serve senão de altar onde Deus é adorado em glória e amor, pois só Ele a habita» (1 S 5, 7).

«Com esta graça e importância que d’Ele recebeu, tornou-se merecedora do seu amor e capaz de adorar graciosamente o seu Amado e realizar obras dignas da sua graça e do seu amor… Ó meu Esposo, as potências da minha alma, que são os olhos com que Te posso ver, mereceram levantar-se para Te olhar… É o que as potências da alma mereciam no adorar: adoravam na graça do seu Deus, na qual qualquer operação é meritória. Assim, iluminados e erguidos pelo favor e graça de Deus adoravam o que n’Ele viam… Quão fora está de fazer o que é obrigada a alma que não está ilustrada com o amor de Deus; porque estando ela obrigada a conhecer estas e outras inumeráveis mercês, quer temporais quer espirituais, que dele recebeu e a cada passo recebe, e a adorar e servir» (CB 32, 2. 8-9).

«Como Igreja sinodal, a caminho, vamos a Belém, onde está Deus no homem e o homem em Deus; onde o Senhor ocupa o primeiro lugare é adorado… Sejamos não só uma Igreja Eucarística, mas também uma Igreja adoradora, porque, no final do Ano Jubilar da Esperança, aprendemos com São Paulo que «a esperança de Cristo não engana», e com São João da Cruz que a «esperança do céu tanto alcança quanto espera» (P 10).

Padre Manuel Reis

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