«O Verbo fez-Se carne e habitou entre nós»
«Hoje, caríssimos irmãos, nasceu o nosso Salvador. Alegremo-nos» (S. Leão Magno).
«Como são belos sobre os montes os pés do mensageiro que anuncia a paz, que traz a boa nova, que proclama a salvação e diz a Sião: «O teu Deus é Rei». O Senhor descobre o seu santo braço à vista de todas as nações e todos os confins da terra verão a salvação do nosso Deus».
«Não queiras enviar-me / De hoje mais mensageiro / Que não sabem dizer-me o que quero… Sê Tu o mensageiro e as mensagens» (São João da Cruz).
«Muitas vezes e de muitos modos falou Deus antigamente aos nossos pais, pelos Profetas. Nestes dias, que são os últimos, falou-nos por seu Filho, a quem fez herdeiro de todas as coisas e pelo qual também criou o universo… A qual dos Anjos, com efeito, disse Deus alguma vez: «Tu és meu Filho, Eu hoje Te gerei»? E ainda: «Eu serei para Ele um Pai e Ele será para Mim um Filho»? E de novo, quando introduziu no mundo o seuPrimogénito, disse: «Adorem-n’O todos os Anjos de Deus».
«O que antigamente Deus disse pelos Profetas a nossos pais de muitos modos e de muitas maneiras, agora, por último, nestes dias, nos falou pelo Filho tudo de uma só vez. Com isso o Apóstolo nos dá a entender que Deus ficou como mudo e não tem mais que falar, porque o que antes disse parcialmente pelos Profetas, revelou‑O totalmente, dando-nos o Todo que é o seu Filho» (São João da Cruz).
«No princípio era o Verbo e o Verbo estava com Deus e o Verbo era Deus. No princípio, Ele estava com Deus. Tudo se fez por meio d’Ele e sem Ele nada foi feito. N’Ele estava a vida e a vida era a luz dos homens… E o Verbo fez-Se carne e habitou entre nós. Nós vimos a sua glória, glória que Lhe vem do Pai como Filho Unigénito, cheio de graça e de verdade».
«Já sendo chegado o tempo Em que de nascer havia, / Assim como desposado Do seu tálamo descia, / Abraçado à sua esposa, / Que em seus braços a trazia; / O qual a Mãe graciosa / Em um presépio estendia, / No meio de uns animais / Que na altura ali havia. / Diziam cantos os homens E os anjos melodia / Festejando os esponsórios / Que entre aqueles dois havia: / Deus, porém, nesse presépio / Ali chorava e gemia, / Que eram joias que a esposa / Aos esponsórios trazia, / E estava a Mãe assombrada / Da troca que ali se via: / Em Deus o pranto do homem / E no homem a alegria, / Coisa que num e no outro / Tão alheia parecia» (S. João da Cruz, Romance sobre o nascimento).
«Sem a Eucaristia não podemos viver». Hoje nasce sacramentalmente na Eucaristia para nós. «Não temos outro sinal da natividade de Cristo maior e mais evidente do que o corpo que comemos e o sangue que bebemos em cada dia aproximando-nos do altar: em cada dia vemos imolar-se Aquele que uma só vez nasceu para nós da Virgem Maria. Acorremos irmãos a este presépio» (S. Aelredo).
«Cada novo passo na vida da Igreja é um regresso à fonte, uma experiência renovada do encontro com o Ressuscitado que os discípulos experimentaram no Cenáculo na noite de Páscoa» (Papa Francisco).
«Aqui se está chamando às criaturas,
e de esta água se fartam, ainda que às escuras,
porque é de noite.
Aquela viva fonte que desejo, neste pão de vida eu a vejo,
ainda que é de noite» (Poema Fonte de São João da Cruz).
Padre Manuel Reis

