«Pela vossa perseverança salvareis as vossas almas»
«O Senhor diz em certo lugar do Evangelho: “pela vossa perseverança salvareis as vossas almas” (Lc 21, 19). A perseverança é necessária, porque todos somos peregrinos neste mundo» (S. Agostinho).
«Não é por acaso que o Dia Mundial dos Pobres é celebrado no final deste ano de graça». Na verdade, Jesus, «sendo rico, fez-Se pobre, para nos enriquecer na sua pobreza». O «Pai dos pobres» é a «esperança dos pobres»: «Quanto mais pobre fores, mais Jesus te amará». «Era rico e fez-Se pobre para unir a sua pobreza à nossa pobreza… Que mistério de amor!… Sim era loucura procurar os pobres coraçõezitos dos mortais para deles fazer seus tronos» (S. Teresinha). Neste Ano Jubilar da Esperança e neste Dia Mundial dos Pobres, pedimos a Deus que nos «liberte do mal» da pobreza e das pobrezas e nos conceda a graça de O reconhecermos nos pobres, pois «pobres sempre os tereis convosco, mas a mim nem sempre tereis» (Mt 26, 11). «Há na pessoa dos pobres uma especial presença de Cristo» (João Paulo II).
«Os pobres não são objetos da nossa pastoral, mas sujeitos criativos que nos estimulam a encontrar sempre novas formas de viver o Evangelho hoje. Diante da sucessão de novas ondas de empobrecimento, corre-se o risco de se habituar e resignar-se. Todos os dias, encontramos pessoas pobres ou empobrecidas e, às vezes, pode acontecer que sejamos nós mesmos a possuir menos, a perder o que antes nos parecia seguro: uma casa, comida suficiente para o dia, acesso a cuidados de saúde, um bom nível de educação e informação, liberdade religiosa e de expressão».
«A esperança cristã é como uma âncora, que fixa o nosso coração na promessa do Senhor Jesus, que nos salvou com a sua morte e ressurreição e que retornará novamente no meio de nós». «O pobre pode tornar-se testemunha de uma esperança forte e confiável, precisamente porque professada numa condição de vida precária, feita de privações, fragilidade e marginalização».
«Os pobres não são um passatempopara a Igreja, mas sim os irmãos e irmãs mais amados, porque cada um deles, com a sua existência e também com as palavras e a sabedoria que trazem consigo, levam-nos a tocar com as mãos a verdade do Evangelho. Por isso, o Dia Mundial dos Pobres pretende recordar às nossas comunidades que os pobres estão no centro de toda a ação pastoral. Não só na sua dimensão caritativa, mas igualmente naquilo que a Igreja celebra e anuncia. Através das suas vozes, das suas histórias, dos seus rostos, Deus assumiu a sua pobreza para nos tornar ricos. Todas as formas de pobreza, sem excluir nenhuma, são um apelo a viver concretamente o Evangelho e a oferecer sinais eficazes de esperança». Por exemplo, o Banco Alimentar e a Cáritas são testemunhos de combate contra a fome em Portugal.
Sabemos que «a pobreza tem causas estruturais que devem ser enfrentadas e eliminadas. À medida que isso acontece, todos somos chamados a criar novos sinais de esperança que testemunhem a caridade cristã, como fizeram, em todas as épocas, muitos santos e santas». «Ajudar os pobres é uma questão de justiça, muito antes de ser uma questão de caridade».
«Jesus fez-se pobre para que lhe possamos fazer caridade». Por isso, «de facto, ela praticou uma boa ação para comigo, pois, em verdade vos digo: quantas vezes o fizestes a um destes meus irmãos mais pequenos, a mim o fizestes” (Mt 25, 40). «O bem que fizestes à minha alma, foi a Jesus que o fizestes pois Ele disse: O que fizerdes ao mais pequenino dos meus é a Mim que o fazeis… E eu sou o mais pequenino». «Tu és a minha esperança, ó Senhor Deus» (Sl 71,5). O Senhor é a esperança dos pobres» e «a pobreza mais grave é não conhecer a Deus»: «Felizes os pobres no espírito, porque deles é o reino dos céus» (Mt 5, 3). «O único bem é amar a Deus com todo o coração e ser cá na terra pobre em espírito». «No meio das provações da vida, a esperança é animada pela firme e encorajadora certeza do amor de Deus, derramado nos corações pelo Espírito Santo. Por isso, ela não dececiona (Rm 5, 5). Todos somos pobres e, como tal, «foi na esperança que fomos salvos» (Rm 8, 24). É urgente erradicar a pobreza no mundo. Somos «sinais de esperança», lutando contra a pobreza (s) tão antiga (s) e tão nova (s). «Precisamos de caridade hoje, agora. Quem carece de caridade não só carece de fé e esperança, mas tira a esperança ao seu próximo». «Servi o Senhor. Sede alegres na esperança, resistentes na tribulação, perseverantes na oração. Partilhai com os santos que passam necessidades, praticai a hospitalidade» (Rm 12, 11-13).
«Desejo, portanto, que este Ano Jubilar possa incentivar o desenvolvimento de políticas de combate às antigas e novas formas de pobreza, além de novas iniciativas de apoio e ajuda aos mais pobres entre os pobres» (Papa Francisco).
Padre Manuel Reis

