«Eu sou a ressurreição e a vida»
A promessa de Deus ao seu povo – «Infundirei em vós o meu espírito e revivereis» – cumpriu-se em Jesus – «Eu sou a ressurreição e a vida» – e permanece promessa para a fé da Igreja: «Quem acredita em Mim, ainda que tenha morrido, viverá; e todo aquele que vive e acredita em Mim, nunca morrerá». «Acreditas nisto?» Disse-Lhe Marta: «Acredito, Senhor, que Tu és o Messias, o Filho de Deus, que havia de vir ao mundo». «Todo aquele que acredita ressuscita» (S. Agostinho).
A ressurreição de Lázaro, a terceira catequese batismal, é profecia da ressurreição e da vida prometida por Jesus aos crentes: «Ele permite que Lázaro morra, para que, ao ressuscitá-lo, se manifeste a Sua glória; permitiu que o Seu amigo descesse à mansão dos mortos para que Deus aparecesse e o resgatasse dos infernos» (S. Pedro Crisólogo). «Porque no Senhor está a misericórdia e com Ele abundante redenção.Ele há de libertar Israelde todas as suas faltas» (Sl 129). Jesus, que «pela morte deu a vida ao mundo», «compadecido da humanidade, fez-nos passar da morte à vida, mediante os sacramentos pascais» (Prefácio, A ressurreição de Lázaro).
São Paulo anuncia-nos a vida nova em Cristo: «Se Cristo está em vós, embora o vosso corpo seja mortal por causa do pecado, o espírito permanece vivo por causa da justiça. E, se o Espírito d’Aquele que ressuscitou Jesus de entre os mortos habita em vós, Ele, que ressuscitou Cristo Jesus de entre os mortos, também dará vida aos vossos corpos mortais, pelo seu Espírito que habita em vós». «A vida cristã é a vida do Espírito que jorra do coração de Cristo Ressuscitado» (Papa Francisco).
«O Evangelho da vida consiste no anúncio da própria pessoa de Jesus» (…) «O Evangelho do amor de Deus pelo homem, o Evangelho da dignidade da pessoa e o Evangelho da vida são um único e indivisível Evangelho» (J. Paulo II).
Ao apóstolo Tomé, e nele a cada homem, Jesus apresenta-Se: «Eu sou o caminho, a verdade e a vida» (Jo 14, 6). Jesus é o Filho que, desde toda a eternidade, recebe a vida do Pai (Jo 5, 26) e veio estar com os homens, para os tornar participantes do dom da vida eterna: «Eu vim para que tenham vida, e a tenham em abundância» (Jo10, 10).
«Aquela eterna fonte está escondida / neste vivo pão para nos dar vida / ainda que é de noite… Esta viva fonte / que desejo / neste pão de vida eu a vejo / ainda que é de noite» (São João da Cruz).
A Eucaristia, a viva fonte que desejamos, é o banquete da vida eterna. A vida do Ressuscitado é a nossa vida de comunhão sacramental e real com Deus: «O que era desde o princípio, o que ouvimos, o que vimos com os nossos olhos, o que contemplámos e as nossas mãos apalparam acerca do Verbo da vida, – porque a vida manifestou-se, nós vimo-la, damos testemunho dela e vos anunciamos esta vida eterna que estava no Pai e que nos foi manifestada – o que vimos e ouvimos, isso vos anunciamos, para que também vós tenhais comunhão connosco» (Jo 1, 1-3). Comungar o Senhor da Vida é receber a vida de Ressuscitado: «A comunhão com Cristo nesta vida prepara-nos para superar o limite da morte, para viver sem fim n’Ele» (Bento XVI).
«Jesus é o único Evangelho: Ele é tudo o que temos para dizer e testemunhar». «O próprio anúncio de Jesus é anúncio da vida. Ele, de facto, é a «Palavra da vida». N’Ele, «a vida manifestou-se»; melhor, Ele mesmo é a «vida eterna que estava no Pai e que nos foi manifestada». Esta mesma vida, graças ao dom do Espírito, foi comunicada ao homem. Orientada para a vida em plenitude – a «vida eterna» –, também a vida terrena de cada um adquire o seu sentido pleno». «Celebrar o Evangelho da vida significa celebrar o Deus da vida, o Deus que dá a vida: «A Vida dá a vida… Esta Vida é viva: Ela é Princípio de vida, Causa e Fonte única de vida. Todo o vivente deve contemplá-la e louvá-la: é Vida que transborda de vida».
«Ao vencedor, dar-lhe-ei a comer da árvore da vida, que está no paraíso de Deus”» (Ap 2, 7). «Sê fiel até à morte, e dar-te-ei a coroa da vida» (Ap 2, 10). «O vencedor será vestido com vestes brancas; jamais apagarei o seu nome do Livro da Vida e declararei o seu nome diante do meu Pai e dos seus anjos» (Ap 3, 5).
Padre Manuel Reis

