Domingo no Carmelo

Domingo XXVII do Tempo Comum

«Se tivésseis fé!»

Jesus afirma no Evangelho que é próprio do senhor mandar e do servo obedecer e servir o seu senhor. Os Apóstolos depois de fazer o que lhes foi ordenado pelo seu «Mestre e Senhor», devem dizer: «Somos inúteis servos: fizemos o que devíamos fazer”. É dever dos Apóstolos obedecer na fé fielmente ao seu Senhor: «Meu Senhor e meu Deus».Ele deixou-lhes o exemplo: «Assim como Eu fiz, fazei vós também». O Senhor, que veio ao mundo não para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate por todos, não dispensa ninguém de O servir: «o servo não é mais do que o seu senhor». O discípulo de Cristo deve ser como o servo que faz o que lhe mandam – gratuitamente – sem direito a esperar nada em troca da sua obediência e do seu serviço. Todo o fiel não faz mais do que o seu dever, a saber, servir com humildade o Senhor fazendo a Sua vontade. Por isso, como «o justo viverá pela sua fidelidade», do mesmo modo, os apóstolos e os cristãos, na sua vida, devem ser fiéis ao Senhor. «Não nos devem envergonhar de dar testemunho de Nosso Senhor», que «nos amou e se entregou por nós». Devemos segui-lo e servi-lo com gratuidade e alegria, por puro amor, com humildade.

Os Apóstolos, não se sentindo sozinhos capazes de realizar a missão que lhes confiou. disseram ao Senhor: «Aumenta a nossa fé». Não esqueçamos que «Jesus é a origem da nossa fé e quem leva à perfeição».  «A fé é filha da oração, mas a oração é mãe da fé”. O que crê reza com a Igreja e na Igreja. No Batismo perguntaram aos nossos pais e padrinhos: «Que pedis à Igreja de Deus?». Eles, na sua oração e fé, pediram a Deus a «fé». «Crer em Cristo, chama-se fé» (S. Agostinho). A fé é um dom de Deusconcedido por meio da Igreja. «Perante as numerosas provas que o mundo atual põe à fé, os cristãos que se contentam com uma oração superficial serão não apenas cristãos medíocres, mas cristãos em perigo» (J. Paulo II). A oração da fé é milagrosa. Só Deus, o Senhor, pode aumentar a força da fé dos seus Apóstolos. “Dizer a uma amoreira arranca-te daí e vai plantar-te no mar” é exigir-lhe algo impossível. Jesus responde-lhes que a fé deles, apesar de pequena como o grão de mostarda, é poderosa como uma amoreira. Aliás, a fé mais poderosa é a mais pequena, aquela que se apoia só em Deus: Quem tem fé pode tudo, porque a Deus nada é impossível, tudo é possível a Deus, que prova a nossa fé e a nossa fidelidade.  Mas, a fé, isto é, a «confiança faz milagres». «Esta provação foi bem grande para a minha fé. Mas, Aquele cujo coração vela enquanto dorme, fez-me compreender que, àqueles cuja fé é do tamanho de um grão de mostarda, concede milagres, e faz as montanhas mudarem de lugar, para consolidar esta fé tão pequena; mas para os seus íntimos, para a sua Mãe, não faz milagres antes de ter experimentado a sua fé. Assim procedeu Jesus com a sua Teresinha: depois de a ter provado durante muito tempo, satisfez-lhe todos os desejos do seu coração…» (S. Teresinha).

Reunimo-nos na nossa pequena fé na Eucaristia para pedirmos ao Senhor mais força para a nossa fé a fim de O seguirmos melhor e servirmos fielmente com alegria e humildade. Deus comunica a sua força ao crente: «tudo é possível a quem crê». A fé põe nas nossas mãos o poder de Deus, a caridade de Deus que salva o mundo. Com fé, disse-lhes Jesus, fariam o impossível: «plantar uma amoreira no mar». «Sem mim nada podeis fazer». «O que é impossível aos homens, é possível a Deus». «Se tu nada és, não deves esquecer que Jesus é tudo, por isso tens de perder o teu pequeno nada no seu Tudo infinito» (S. Teresinha). «Todo o bem por nós realizado no desenvolvimento do nosso ministério é obra de Cristo; e não nossa, que nada podemos sem ele, mas gloriamo-nos dele, dele deriva toda a eficácia do nosso agir» (S. Leão Magno). «Em última instância, não passamos de um instrumento nas mãos do Senhor. Com humildade, faremos o que nos for possível realizar e, com humildade, confiaremos o resto ao Senhor. É Deus quem governa o mundo, não nós» (Bento XVI).

Padre Manuel Reis

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