Domingo no Carmelo

Páscoa da Ressurreição

“Ele tinha de ressuscitar dos mortos

“Desejei ardentemente comer esta Páscoa convosco, antes de padecer” (Lc 22, 15)… «Ninguém tinha ganho um lugar para aquela Ceia. Todos foram convidados ou, melhor, atraídos pelo desejo ardente que Jesus tem de comer aquela Páscoa com eles: Ele sabe que é o Cordeiro daquela Páscoa, sabe que é a Páscoa. Esta é a novidade absoluta daquela Ceia, a única verdadeira novidade da história, que torna aquela Ceia única e, por isso, “última”, irrepetível. Todavia, o seu infinito desejo de restabelecer a comunhão connosco, que era e continua a ser o projeto originário, só poderá ser saciado quando todos os homens, “de todas as tribos, línguas, povos e nações”(Ap 5, 9) comerem o seu Corpo e beberem o seu Sangue: por isso aquela mesma Ceia se tornará presente, até ao seu regresso, na celebração da Eucaristia» (DD 4).

«O mundo não o sabe ainda, mas todos “são convidados para o banquete das núpcias do Cordeiro” (Ap 19, 9). Para ter acesso a Ele só precisa da veste nupcial da fé que vem da escuta da sua Palavra (Rm 10, 17): a Igreja prepara-a à medida com a alvura de um tecido “lavado no Sangue do Cordeiro” (Ap 7, 14). Não deveríamos ter um instante sequer de repouso, sabendo que nem todos ainda receberam o convite para a Ceia ou que outros o esqueceram ou perderam nas sendas tortuosas da vida dos homens. Por isso disse que “sonho com uma opção missionária capaz de transformar tudo… para que todos se possam sentar à Ceia do sacrifício do Cordeiro e d’Ele viver» (DD 5).

«Deus ressuscitou-O ao terceiro dia e permitiu-Lhe manifestar-Se, não a todo o povo, mas às testemunhas de antemão designadas por Deus, a nós que comemos e bebemos com Ele, depois de ter ressuscitado dos mortos». «Todas as vezes que comerdes este pão e beberdes deste cálice, anunciareis a morte do Senhor».  «Não morrerei, mas hei de viver para anunciar as obras do Senhor». «Se ressuscitastes com Cristo, aspirai às coisas do alto, onde está Cristo, sentado à direita de Deus… Vós morrestes e a vossa vida está escondida com Cristo em Deus. Quando Cristo, que é a vossa vida, Se manifestar, também vós vos haveis de manifestar com Ele na glória».

«O conteúdo do Pão partido é a cruz de Jesus, o seu sacrifício em obediência de amor ao Pai. Se não tivéssemos tido a última Ceia, isto é, a antecipação ritual da sua morte, não teríamos podido compreender como a execução da sua condenação à morte pudesse ser o ato de culto perfeito e agradável ao Pai, o único verdadeiro ato de culto. Poucas horas depois, os Apóstolos teriam podido ver na cruz de Jesus, se tivessem suportado o seu peso, o que é que queria dizer “corpo oferecido”, “sangue derramado”: e é disso que fazemos memória em cada Eucaristia. Quando regressa, ressuscitado dos mortos, para partir o pão pelos discípulos de Emaús e pelos seus que tinham voltado a pescar peixe – e não homens – no lago da Galileia, esse gesto abre os seus olhos, cura-os da cegueira infligida pelo horror da Cruz, tornando-os capazes de “ver” o Ressuscitado, de crer na Ressurreição» (DD 7). «Na verdade, ainda não tinham entendido a Escritura, segundo a qual Jesus devia ressuscitar dos mortos». «Entrou também o outro discípulo que chegara primeiro ao sepulcro: viu e acreditou».  A no Ressuscitado torna possível a inteligência da Escritura.

«A Liturgia garante-nos a possibilidade do encontro com o Ressuscitado. Não nos basta ter uma vaga recordação da última Ceia: nós precisamos de estar presentes nessa Ceia, de poder ouvir a sua voz, de comer o seu Corpo e beber o seu Sangue: precisamos d’Ele. Na Eucaristia e em todos os sacramentos é-nos garantida a possibilidade de encontrar o Senhor Jesus e de ser alcançados pela potência da sua Páscoa» (DD 11). «A Liturgia é o dom da Páscoa do Senhor que, acolhido com docilidade, faz nova a nossa vida. Não se entra no Cenáculo a não ser pela força de atração do seu desejo de comer a Páscoa connosco» (DD 20). «O plano salvífico de Deus foi-nos revelado na Páscoa de Jesus» (DD 25). «Tu fazes Páscoa… quando tomas parte no sacrifício…A Páscoa consiste em anunciar a morte do Senhor» (S. João Crisóstomo). «A Páscoa é a verdadeira salvação da humanidade… A força salvífica da ressurreição de Cristo invada a humanidade inteira» (Bento XVI). «A Páscoa é Jesus vivo. A Páscoa é a Igreja viva. Cristo está vivo! A Igreja está viva» (Papa Francisco). «Cristo, nosso Cordeiro pascal, foi imolado: celebremos a festa do Senhor». «Este é o dia que o Senhor fez: exultemos e cantemos de alegria» (Sl 117).

«Quem nos impede de estar com Ele depois de ressuscitado, pois tão perto o temos no Sacramento, onde já está glorificado?» (Santa Teresa de Jesus).

Padre Manuel Reis

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