Domingo no Carmelo

Domingo III do Tempo Comum

«Foi para Cafarnaum, a fim de se cumprir o que anunciara o profeta Isaías»

São João Paulo II estabeleceu o «Domingo da Palavra de Deus» que coincide com a Conversão de São Paulo e a conclusão do Oitavário de Orações pela Unidade dos Cristãos sob o lema: «A palavra de Cristo habite em vós» (Col 3, 16): «Estabeleço que o III Domingo do Tempo Comum seja dedicado à celebração, reflexão e divulgação da Palavra de Deus», que permite àIgreja «reviver o gesto do Ressuscitado que abre, também para nós, o tesouro da sua Palavra, para podermos ser no mundo arautos desta riqueza inexaurível».

«Muitas vezes e de muitos modos, falou Deus antigamente aos nossos pais pelos profetas; nestes dias, que são os últimos, falou-nos por meio do Filho» (Hb 1, 1-2). «Cristo está presente na sua palavra, pois é Ele que fala ao ser lida na Igreja a Sagrada Escritura» (SC 7). «Toda a Escritura divina é um só livro, e esse único livro é Cristo; porque toda a Escritura divina fala de Cristo e toda a Escritura divina se cumpre em Cristo» (Hugo de S. Victor).

Neste Domingo, fala-nos pelo profeta Isaías, pela exortação de São Paulo, chamado e enviado a «anunciar o Evangelho» e a «permanecermos bem unidos, no mesmo pensar e no mesmo agir», e pela pregação, chamamento e ensino de Jesus. A Palavra do Senhor é Palavra de Salvação e de vida eterna para os seus «discípulos-missionários» da «alegria do Evangelho».

 O que anunciou o profeta Isaías? Anunciou: «Terra de Zabulão e terra de Neftali, caminho do mar, além do Jordão, Galileia dos gentios: o povo que vivia nas trevas viu uma grande luz; para aqueles que habitavam na sombria região da morte, uma luz se levantou». O que cumpriu Jesus em Cafarnaum? «Retirou-Se para a Galileia. Deixou Nazaré e foi habitar em Cafarnaum, terra à beira-mar, no território de Zabulão e Neftali». «Jesus começou a pregar: “Arrependei-vos, porque está próximo o reino dos Céus”. «Viu dois irmãos: Simão, chamado Pedro, e seu irmão André… Disse-lhes: «Vinde e segui-Me, e farei de vós pescadores de homens». Eles deixaram logo as redes e seguiram-n’O. Viu outros dois irmãos: Tiago, filho de Zebedeu, e seu irmão João… chamou-os. Eles, deixando o barco e o pai, seguiram-n’O. O que fez Jesus na Galileia? «Depois começou a percorrer toda a Galileia, ensinando nas sinagogas, proclamando o Evangelho do reino e curando todas as doenças e enfermidades entre o povo».

Em Cafarnaum, Jesus prega o arrependimento e chama os discípulos ao seguimento. Na Galileia, Jesus proclama o Evangelho do reino, ensina nas sinagogas e cura as doenças e enfermidades do povo. Os evangelizados tornam-se evangelizadores. Os ministros do Evangelho devem ser, no dizer de São João da Cruz, «os primeiros a falar a Palavra de Deus», a «dar a conhecer Cristo, muito pouco conhecido dos que se têm por seus amigos». No dizer de Santa Teresa de Jesus, Jesus é a Palavra de Deus, o «Livro vivo» e «Sua Majestade tem sido o verdadeiro livro onde tenho visto as verdades». Ela identifica a Verdade de Deus com a verdade da Sagrada Escritura e com a verdade da Igreja.

São Jerónimo ensina-nos que o Evangelho é verdadeiramente o corpo e o sangue de Cristo». «O que é que tem mais valor, segundo vós, a Palavra de Deus ou o Corpo de Cristo? Se quiserdes responder com verdade, deveis certamente dizer que a Palavra de Deus não é menos valiosa que o Corpo de Cristo… Não deixemos escapar do nosso coração a Palavra de Deus que nos é dirigida» (Cesário de Arles). «A Palavra de Deus seja verdadeiramente o fundamento da vida espiritual… expresso o vivo desejo de que floresça “uma nova estação de maior amor pela Sagrada Escritura da parte de todos os membros do Povo de Deus, de modo que, a partir da sua leitura orante e fiel no tempo, se aprofunde a ligação com a própria pessoa de Jesus” (Bento XVI).

A celebração do Domingo da Palavra de Deus no último dia do Oitavário de Orações pela Unidade dos Cristãos tem um valor ecuménico, no dizer do Papa Francisco, pois, a Sagrada Escritura indica, a quantos se colocam à sua escuta, o caminho a seguir para se chegar a uma unidade autêntica e sólida». São Paulo convida-nos a «falar todos a mesma linguagem e que não haja divisões entre nós». Por isso, agradecemos o dom da fé batismal, e pedimos ao Senhor, na Eucaristia, que, pela docilidade ao Espírito Santo, a unidade seja uma realidade visível na vida da Igreja, para que se «cumpra hoje a passagem da Escritura»: «Pai, que todos sejam um» (Jo 17, 21).

Padre Manuel Reis

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