Domingo no Carmelo

Domingo IV da Quaresma

«Eu fui, lavei-me e comecei a ver»

Nesta segunda catequese batismal da cura do cego de nascença, somos conduzidos pelo Bom Pastor às águas refrescantes (Sl 22, 2), recebemos a luz d’Aquele que é a «luz verdadeira» que veio a este mundo para «iluminar todo o homem» (Jo 1, 9).

Samuel ungiu David como rei de Israel. David é figura de Cristo, batizado no rio Jordão por João Batista, e do cristão, batizado por Cristo – o «Enviado» do Pai ao mundo para salvar o mundo (Jo 3, 17) –, na «piscina de Siloé», isto é, na sua Igreja. «O cego foi batizado em Cristo». «Eu fui, lavei-me e comecei a ver». «Eu era cego e agora vejo». «Este cego é todo o género humano… Cegos também nós nascemos de Adão, e temos necessidade de que o Senhor nos ilumine» (S. Agostinho). O cego de nascimento sou eu, és tu, somos todos nós que fomos ungidos, lavados, purificados e iluminados pelo Espírito Santo na graça do batismo que nos abriu os olhos da alma para recebermos a Luz de Cristo: «O Senhor é Deus e fez brilhar sobre nós a sua luz» (Sl 117, 27). «O Senhor dá vista aos cegos».

«O Senhor é meu pastor, nada me faltará» (Sl 22). Jesus, pela sua Igreja, conduziu-nos às águas refrescantes do Batismo, preparou-nos a mesa da Eucaristia, acompanhou-nos com a sua bondade e graça todos os dias da nossa vida, fez-nos habitar na sua casa para todo o sempre na Reconciliação e Unção dos Doentes, com o óleo perfumou-nos a cabeça na Confirmação. «Tu acreditas no Filho do Homem? Quem é Ele, Senhor, para que eu acredite? Já o vistes: é quem está a falar contigo. Eu creio, Senhor».  Jesus Cristo ressuscitado é a luz do mundo» (Jo 8, 2), a luz verdadeira (Ef 5, 14). «Desperta e levanta-te do meio dos mortos e Cristo brilhará sobre ti». «Eu sou a luz do mundo, quem me segue terá a luz da vida» (Jo 8, 12). Jesus, o Messias, o Senhor, curou os nossos pecados, a nossa cegueira, a nossa incredulidade, deu-nos a luz da fé.

«Pelo mistério da Encarnação iluminou o género humano que vivia nas trevas para o reconduzir à luz da fé e pela regeneração do Batismo libertou os que nasciam na escravidão do antigo pecado para os tornar seus filhos adotivos» (Prefácio).

A clemência de Deus é infinita

Ele perdoa as culpas do seu povo:

Dá luz ao cego, dá ouvido ao surdo,

Dá voz ao mundo, os mortos ressuscita

E faz do mundo antigo um mundo novo.

«Quando há pecado no homem, não lhe é possível ver a Deus. Mas se quiseres, podes curar-te: entrega-te nas mãos do médico, e ele tratará os olhos da tua alma e do teu coração. Quem é este médico? É Deus, que pelo seu Verbo e Sabedoria dá vida e saúde a todas as coisas… Se compreenderes tudo isto, ó homem, se a tua vida for santa, pura e piedosa, poderás ver a Deus; se deres preferência no teu coração à fé e ao temor de Deus, então compreenderás. Quando te libertares da condição mortal e te revestires da imortalidade, então verás a Deus segundo os teus méritos. Sim, Deus ressuscitará o teu corpo, tornando-o imortal como a tua alma; e então, feito imortal, tu verás o Imortal, se agora acreditares n’Ele» (S. Teófilo de Antioquia).

«Senhor, dá-me dessa água». «Somos, dá-me dessa luz».  Com a água do Espírito e a luz da sua Palavra santifica a nossa vida, na Eucaristia, o «gerador de luz» para «vivermos como filhos da luz» e «darmos o fruto da luz», a bondade, a justiça a verdade, a caridade. Na Vigília Pascal renovaremos as promessas do nosso batismo. Receberemos a luz da Luz do Círio Pascal, isto é, de Cristo Ressuscitado. «Na Vossa Luz vemos a Luz». «Vós sois a luz do mundo» (Mt 5, 14).  Somos testemunhas da luz de Cristo: «Agora sois luz no Senhor» (Ef 5, 8). Éramos trevas, desconhecíamos a Jesus, mas agora somos «luz no Senhor», «procuramos sempre o que mais agrada ao Senhor», testemunhamos a nossa fé: «Eu creio, Senhor». «Senhor, aumentai a minha fé».

«Pai de infinita misericórdia, que destes ao cego de nascença a fé em vosso Filho para que entrasse no reino da vossa luz, fazei que os vossos eleitos aqui presentes sejam libertados das ilusões que os envolvem e os cegam e concedei-lhes a graça de se enraizarem firmemente na verdade para se tornarem filhos da luz e assim permanecerem sempre… Senhor Jesus, luz verdadeira que iluminais todos os homens… nestes eleitos, que escolhestes para os vossos sacramentos, despertai o amor do bem, para que, inundados pela vossa luz, se tornem, como o cego a quem outrora restituístes a vista, firmes e corajosas testemunhas da fé» (Ritual Romano, Iniciação Cristã dos Adultos).

«Creio que essa luz representa a caridade, que deve iluminar e alegrar, não só os que são mais queridos, mas todos aqueles que estão em casa, sem excetuar ninguém» (S. Teresinha). Peçamos ao Senhor, nesta segunda metade da Quaresma, a luz do seu Espírito, uma «fé viva e um espírito generoso a fim de caminhar alegremente para as próximas solenidades pascais».

Padre Manuel Reis

1 thought on “Domingo IV da Quaresma”

  1. Eu, não tenho muitas palavras a dizer.
    Somente Gratidão: por tão bela explicação

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